sábado, 18 de novembro de 2023

A Arte da Fragmentação

 


Quando nascemos não sabemos de nada. Precisamos aprender tudo desde o começo: Aprender a falar, a andar, a comer, a ir ao banheiro, a se vestir e etc. Depois vem outros desafios, como sair às ruas sozinho; aprender a nadar; aprender a andar de bicicleta e tudo mais. E como fazemos isso, como aprendemos tudo mas de uma maneira natural e que não lembre algo aterrador ou desafiador em demasia? Se você notar bem, o ser humano assimila as adversidades do mundo pouco a pouco, de maneira calma e paciente, por frações, por porções, de uma maneira fragmentada.

E eu só fui notar e começar a refletir sobre isso de forma mais intensa, quando comecei a estudar idiomas estrangeiros, principalmente o Japonês, uma das minhas maiores paixões. Quando você escuta a língua japonesa ou lê os textos com um alfabeto totalmente diferente, você pensa imediatamente: 'É impossível, eu nunca conseguirei compreender este idioma, nem que eu fique anos estudando'. Eu também tive esta mentalidade. Mas no meu íntimo, nos rincões de minha alma, eu sabia que se me esforçasse em demasiado, eu conseguiria aprender este idioma. Então comecei a estudar pouco a pouco, por palavras, por pequenas frases e conceitos gramaticais. E vi que cada vez mais, de forma gradual, eu assimilava mais e mais o que os japoneses iam dizendo e escrevendo, até chegar ao alto nível no idioma que me encontro hoje.

O que é necessário para aprender um idioma ou qualquer outra arte sem ficar assustado? Simples: não olhar para o todo. O ser humano tem a tendência natural de olhar para o todo quando vai encarar um determinado assunto. E quando não entende nada ou quase nada, fica aturdido e começa a lançar invectivas e diatribes à matéria e ao método que alguém está propondo a ensinar. O que a pessoa ofendida e raivosa não percebe, é que mesmo o conteúdo mais complexo pode ser divido em pequenos fragmentos de estudo. Na matemática mesmo. Antes de você encarar as mais difíceis e incomensuráveis contas, você não aprende desde o mais simples, que é o 2 + 2? Na música, antes de ir executar toda a melodia, o estudante primeiro não se concentra em aprender a tocar uma nota apenas? É assim também com idiomas. A pessoa abre um texto e pensa que é impossível compreender tudo aquilo. Mas se você estudar primeiro pequenas frases da língua, depois pequenas estruturas, os pontos gramaticais mais simples, acaba percebendo que pouco a pouco o seu nível vai melhorando de forma gradual à medida que progride nos estudos. Com o passar do tempo, o estudioso, por conta própria, vai engendrando conceitos que se adequem melhor à sua característica de aprendiz no tópico almejado.

A arte da fragmentação é recomendada a todos que queiram aprender qualquer assunto de forma mais natural e divertida.




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