Todos nós brasileiros, somos programados desde pequenos a consumir apenas aos enlatados norte-americanos. Emissoras gigantes como a Rede Globo ou o SBT entopem a programação com filmes estadunidenses, na tv a cabo, os próprios canais são de origem norte-americana e na época das vídeo locadoras só dava fitas da terra do Tio Sam nas prateleiras. Sem olvidar, é claro, das salas de cinema, que até hoje projetam em suas grandes telas apenas filmes dos Estados Unidos ou produções nacionais.
Os Estados Unidos realmente é o país que mais investe em cinema no mundo, com superproduções permeadas com grandes astros e estrelas, incomensuráveis orçamentos e obras com os mais avançados efeitos visuais acessíveis no momento da filmagem da obra. O objetivo de grande parte da produção daquele país é o entretenimento puro, por isso dá para entender que o brasileiro que queira apenas desfadigar depois de um longo e estressante dia escolha um longa de hollywood para contemplar.
Mas é ai que começa o grande problema. Ao assistir somente às películas norte-americanas, o cidadão brasileiro se torna um vassalo dos dito cujos, torna-se um ser monocultural, mirando apenas a arte engendrada por uma sociedade, por uma mentalidade, por um povo. Sabemos que os Estados Unidos têm uma história controversa, abarrotada por polêmicas e fatos lúgubres e dubitáveis. Quando você assiste muito aos filmes e séries daquela nação, você nota um orgulho descomedido que beira à jactância e à empáfia por parte deles. O espectador é obrigado a ver a bandeira do país a todo o momento, sem contar as inúmeras situações onde os personagens dizem com todo a ufania de que ''o nosso país é o maior do mundo''. É constrangedor notar, por exemplo, em como nos filmes de guerra os americanos sempre são os bonzinhos, os salvadores da pátria, os paladinos que vieram salvar os citadinos dos déspotas, dos nazistas, dos fascistas.
Mas nós brasileiros podemos tirar algo bom dos americanos, que é justamente a dedicação aos produtos nacionais. Assim como já ocorre com as telenovelas, o brasileiro precisa assistir mais aos filmes tupiniquins. Além de apoiar mais as produções locais, nada tira a sensação maravilhosa de assistir a um filme sem legendas e compreender tudo; de ver os créditos da fita escritos em português; os atores e atrizes brasileiros; de ver cidades e regiões de todo o país; ouvir músicas de grandes artistas brasileiros entre uma cena e outra e assim vai. A sensação de assistir a muitos filmes do nosso país é formidável, é como se você, no final do mês, olhasse para trás e dissesse para si mesmo: ''missão cumprida, assisti mais filmes nacionais do que estrangeiros neste mês''.
Não estou dizendo para apenas e tão somente assistir aos filmes brasileiros, se não iremos ser como os americanos, que vivem numa espécie de bolha ao verem apenas aos filmes engendrados na própria nação. Agora, apreciar as produções locais e assistir a obras brasileiras com assiduidade é um dever. Um múnus saudável para todo o bom brasileiro que valoriza o nosso país e a nossa cultura.

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